O pai também afirma ter participado recentemente de uma reunião com um representante da administração municipal, na qual teria sido informado de que novas medidas somente seriam adotadas mediante nova decisão judicial.
Um pai de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) procurou a reportagem nesta quinta-feira (6), para denunciar o que classifica como um cenário de abandono no atendimento oferecido às crianças autistas em Araras (SP). Segundo ele, apesar de possuir decisão judicial e laudos médicos que garantiriam o tratamento da filha, os serviços não estariam sendo disponibilizados conforme determinado.
De acordo com o relato, há cerca de um ano e meio a família ingressou com uma ação na Justiça para garantir o acesso às terapias necessárias. Inicialmente, o juiz determinou o fornecimento de atendimentos de fonoaudiologia e terapia ocupacional (TO), estabelecendo que a definição completa do tratamento deveria ser feita pela médica neuropediatra responsável pelo caso.
Após a avaliação, a especialista teria prescrito um conjunto de terapias, incluindo atendimento baseado na metodologia ABA, fisioterapia e outros acompanhamentos multidisciplinares. No entanto, o pai afirma que o núcleo responsável pelo atendimento insiste em reconhecer apenas parte da decisão judicial.
Além disso, ele relata que, na prática, nem mesmo os atendimentos de fonoaudiologia e terapia ocupacional estariam sendo oferecidos regularmente devido à falta de profissionais.
O pai também afirma ter participado recentemente de uma reunião com um representante da administração municipal, na qual teria sido informado de que novas medidas somente seriam adotadas mediante nova decisão judicial.
Segundo ele, durante a conversa foram apresentados argumentos relacionados à situação financeira da Prefeitura, o que aumentou sua indignação. “Eu não quero saber das contas da Prefeitura. Eu pago meus impostos. O que eu quero é que minha filha receba o tratamento que a Justiça e a médica determinaram”, desabafou.
Ainda segundo o denunciante, ele possui laudos médicos, cópia do processo judicial, conversas com servidores e outros documentos que, segundo afirma, comprovam sua versão dos fatos. O objetivo é tornar pública a situação enfrentada por diversas famílias que dependem do atendimento especializado para crianças com autismo.
A reportagem informa que teve acesso apenas ao relato do pai e aguarda manifestação oficial da Prefeitura de Araras e da Secretaria Municipal da Saúde sobre as denúncias. O espaço permanece aberto para que os órgãos apresentem seus esclarecimentos sobre o caso e informem quais medidas estão sendo adotadas para garantir o atendimento às crianças com TEA no município.



