Páscoa salgada: chocolate e azeite sobem 11% em um ano; bacalhau está 8% mais caro

Maior parte da cesta de produtos tradicionais registra aumento acima da inflação; alta reflete encarecimento generalizado causado por combustíveis e alimentos.

Páscoa deste ano será mais cara aos brasileiros – já impactados pela constante alta dos preços dos alimentos nos supermercados. A maior parte dos itens que compõem o tradicional almoço de Páscoa subiu acima da inflação (índice que calcula a média do aumento dos preços).

Entre os alimentos, normalmente presentes na mesa do domingo, que mais subiram, merecem destaque a batata-inglesa, usada na preparação do bacalhau, que está 27% mais cara, e o azeite de oliva, que subiu 11,3%. O próprio bacalhau também ficou mais salgado com a alta de 7,8% neste ano, em comparação com a Páscoa de 2021.

O preço do indispensável chocolate aumentou 13,6% em um ano, enquanto as versões em barra subiram 11%. Já o indicador oficial da inflação foi de 11,3% no acumulado em 12 meses. Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, divulgado na sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento dos preços dos produtos da Páscoa segue a alta generalizada vista pelos brasileiros em cada visita ao supermercado. A inflação está acima dos dois dígitos há sete meses, e os reflexos do conflito no Leste Europeu devem trazer ainda mais pressão no indicador.

“Mais do que o número em si, a alta assusta pelo o que representa: perda acelerada do poder de compra, principalmente das camadas de menor renda da população, em itens básicos como alimentos e combustíveis. E não há sinal de que o quadro vá se reverter, pelo menos no médio prazo”, afirma o professor do Insper e CEO do Siegen Consultoria, Fábio Astrauskas.

A pressão inflacionária é puxada pelo encarecimento dos combustíveis e dos alimentos. No primeiro caso, o principal vetor de alta é a volatilidade no preço do barril do petróleo em meio às incertezas geradas pela guerra na Ucrânia, que chegou a levar a cotação para próximo de US$ 140, o maior valor desde 2008. A alta, porém, já era observada desde o ano passado com a retomada das economias no pós-pandemia.

O aumento dos combustíveis explica parte do encarecimento dos alimentos, já que a maior parte da produção é transportada em rodovias. A escalada dos preços também tem relação com quebras nas lavouras por questões climáticas, como as fortes tempestades que atingiram a região sudeste no início do ano.

Os icônicos ovos de chocolate também não escaparam da majoração, apesar de em menor intensidade da vista em Páscoas passadas. Dados do Instituto Brasileiro da Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) mostram que o preço dos ovos subiu 9,9% no último ano. Em 2021, a alta havia sido de 12%, enquanto em 2020 o registro foi de 17,4%. A alta geral dos preços também é justificada pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) para explicar o aumento.

“O preço do chocolate em geral é impactado por diferentes fatores. O cacau, açúcar e o leite, por exemplo, assim como a variação do dólar, contratações, distribuição e impostos, também influenciam. Há de se considerar também a inflação, que ficou em dois dígitos em 2021, com alta de 10,06%, o maior aumento desde 2015. Além disso, o varejo tem suas próprias políticas”, informa a associação em nota.

 

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