Pesquisa da UFSCar revela que assentamentos ajudam a conservar áreas florestais em Araras, SP

O estudo constatou que as instalações concedidas por reforma agrária não só conservam a vegetação já existente no local, como também favorecem a plantação de outras árvores.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos, do campus de Araras (SP), revelou que os assentamentos concedidos a famílias carentes ajudam a conservar áreas florestais e a vegetação local.

As instalações, que são concedidas pelo plano de reforma agrária da cidade, mostraram que além da preservação da vegetação pré-existente no local, os assentamentos também foram responsáveis pelo aumento da cobertura vegetal, visto que eles favoreceram a plantação de novas espécies de árvores, cercas vivas e outros componentes de vegetação.

Parte dos resultados obtidos pelo estudo integrou um artigo, intitulado por “Análise espacial da cobertura arbórea em paisagem de assentamentos de reforma agrária em Araras (SP, Brasil)”, o qual foi publicado na revista de geografia e ecologia Raega.

Pesquisa da UFSCar de Araras identificou que os moradores dos assentamentos contribuem para o plantio de novas espécies — Foto: Reprodução / TV Globo

Entendendo a pesquisa

O estudo levou em consideração os dados colhidos a partir da análise dos assentamentos Araras I, II, III, IV e Saltinho, os quais foram divididos em três grupos: urbano (totalmente dentro da cidade), rural (afastado da cidade) e periurbano (na divisão entre os espaços).

Os assentamentos, somados, possuem uma área de 582,8 hectares. A pesquisa identificou que a cobertura arbórea identificada dentro do perímetro das instalações é de 89,05 hectares, o que equivale a 15% da área total.

A porcentagem da cobertura vegetal verificada nos assentamentos é próxima ao índice das áreas protegidas por lei para fins de conservação, que equivalem a 20%. A conservação de vegetações, matas e florestas presentes nos perímetros de assentamentos se deve à ação dos próprios moradores, que, em sua maioria, vivem da agricultura.

A pesquisa identificou que as famílias plantam as frutas e os vegetais que consomem, além de essa ser uma possibilidade de obtenção de renda, visto que os produtos excedentes podem ser comercializados.

Dessa forma, o plantio contribui para a diversificação das espécies das árvores, pois os moradores introduzem sementes e mudas que não são de origem do local, o que também colabora para a formação de corredores ecológicos, ao facilitarem o deslocamento da fauna, de sementes e grãos de pólen.

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