Pesquisadores da UFSCar descobrem proteína que protege o esmalte do dente

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Cistatina é capaz de evitar cáries e o desgaste causado por erosões ácidas.

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram uma proteína da cana-de-açúcar que pode auxiliar no tratamento dentário. Ela é capaz de proteger o esmalte, evitar cáries e o desgaste causado por erosões ácidas.

De acordo com Departamento de Genética e Evolução (DGE), que patenteou a substância, a cistatina é estudada há cerca de 15 anos, mas só foi descoberta e utilizada para proteção dentária nos últimos quatro.

“Nós verificamos que essa proteína se liga ao esmalte do dente formando uma película protetora e evitando que o ácido agrida o dente”, explicou a pesquisadora Adelita Carolina Santiago.

Pesquisadores descobriram que proteína pode proteger esmalte do dente (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)

Pesquisadores descobriram que proteína pode proteger esmalte do dente (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)

Estudo

Como a cistatina é produzida em pequena quantidade pela cana-de-açúcar, o gene foi introduzido em bactérias para ter maior produção. Com isso, os pesquisadores iniciaram a aplicação da substância em produtos odontológicos para realização de testes.

”A gente comprovou no laboratório em dente de bovinos e agora vamos fazer a confirmação em humanos. A partir disso pode-se usar em produtos, mas os testes em laboratório já mostram a eficiência da proteína”, explicou Flávio Henrique Silva.

A pesquisa contou com a colaboração de pesquisadores da USP de Bauru (SP) e da Universidade de Cambridge, da Inglaterra.

“A colaboradora de Bauru já tinha indícios que um elemento tinha efeito protetivo, só que a proteína era cara. A nossa é mais barata”, contou o professor da UFSCar, Flávio Henrique Silva.

Proteína foi introduzida em bactéria para maior produção (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)

Proteína foi introduzida em bactéria para maior produção (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)

Solução

Segundo a dentista Lucilla Gutierre Baldan, o tratamento para a erosão ácida, que é a retirada de mineral do esmalte do dente e geralmente é causada pelo consumo de refrigerantes, doces e outros produtos, é bem comum, mas doloroso.

“Quando a gente tira esse mineral, o dente fica mais frágil e propenso a aparecer cárie. Se tiver uma proteína que tenha dor, para nós seria bem mais fácil”, disse.

O departamento informou que a cistatina disponível no mercado possui preços altos e não apresentam a mesma eficiência de proteção. Por conta disso, a equipe estuda aumentar a escala de produção para oferecer o produto na área odontológica.


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