Plantação ajuda sentenciados a minimizar impactos psicológicos causados pela pandemia em SP

Horta em penitenciária de Guareí, no interior de São Paulo, emprega oito sentenciados e os capacita profissionalmente.

Na Penitenciária “Nelson Vieira”, de Guareí I, no interior de São Paulo, mais de 2.900 m² de terra batida foram transformados pelo verde das hortaliças. A horta é resultado do projeto Renova, uma parceria que a unidade prisional tem com a prefeitura da cidade e, além de proporcionar alimentação saudável para servidores e encarcerados, emprega atualmente oito sentenciados do regime semiaberto, que ocupam o tempo e se distraem enquanto cultivam a terra.

O diretor da unidade prisional, Marcos Valério Rodrigues Mariano, disse que a ação dos reeducandos em otimizar um local que até então não era aproveitado trouxe resultados positivos para o ambiente prisional.

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O trabalho é supervisionado pelo servidor Aguinaldo Fogaça, com formação em Gestão em Agronegócio. Segundo ele, a horta, além de contribuir para fins de remição de pena, também capacita profissionalmente reeducandos para o trabalho com a produção agrícola. “É possível fortalecer o processo de recuperação dos indivíduos privados de liberdade e mantê-los ocupados, ajudando-os a trabalhar a ansiedade”, esclareceu.

No momento, a horta está em seu primeiro módulo com o plantio de alface e cenoura, mas há a pretensão de produzir couve e mandioca orgânicas também. Mais de mil quilos de legumes e verduras já foram colhidos, em pouco mais de um ano.

Em sua sexta colheita, a unidade aprecia, no dia a dia, os sabores que o tempo traz para quem aprende sobre o ofício de plantar o próprio alimento. Para um dos sentenciados, “é gratificante ao acompanhar cada muda plantada dando frutos e proporcionando uma alimentação mais saudável na unidade. Sem contar que a gente fica ocupado, sem tempo para pensar nos problemas causados pela COVID-19”, comentou.

Compostagem

O projeto também desencadeou o desenvolvimento de trabalhos de compostagem ao deixar de jogar no lixo, por mês, mais de uma tonelada de restos vegetais para se tornarem compostos orgânicos, gerando economia nos gastos com insumos e promovendo a consciência ambiental entre os sentenciados.