Polícia Militar arrecada roupas e brinquedos para menino torturado em Campinas, SP

Criança estava acorrentada em barril e foi resgatada pela corporação no sábado (30). Pai do menino e duas mulheres foram indicados e tiveram as prisões preventivas decretadas.

A Polícia Militar iniciou na manhã desta terça-feira (2) uma ação para arrecadar brinquedos e roupas para o menino de 11 anos que foi resgatado em uma casa no Jardim Itatiaia, em Campinas (SP), após ele sofrer tortura. Integrantes da corporação encontraram a criança com as mãos e pés acorrentados dentro de um barril após denúncias de vizinhos, no sábado, e ela foi socorrida pelo Samu ao Hospital Ouro Verde, onde permanece internada sob responsabilidade de uma tia. O estado de saúde é estável.

Como fazer?

A 2ª Companhia do 35º Batalhão da PM informou que as doações devem ser levadas para o seguinte local: Avenida Guarani, 1.190, no Jardim Paraíso. A orientação é para que os materiais sejam levados durante o dia e mais detalhes podem ser obtidos pelo telefone (19) 3276-0740.

A corporação ressalta ainda que não está arrecadando dinheiro ou mantimentos, mas somente brinquedos e roupas. Na segunda-feira, a Justiça determinou as prisões preventivas dos três suspeitos pela tortura: o pai do menino, a namorada ele e uma filha da mulher.

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Investigações

O boletim de ocorrência foi registrado como tortura na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Jardim Londres, e o inquérito está em andamento. O pai do menino é suspeito de ter praticado as ações, enquanto a namorada e a filha dela devem ser responsabilizadas por omissão, diz a polícia.

Nesta manhã, o prefeito, Dário Saadi (Republicanos), anunciou abertura de apuração sobre eventuais falhas e omissões dos serviços públicos municipais e de entidade conveniada. Além disso, diz o governo, o objetivo é buscar melhorias e adequações no fluxo de atendimentos a situações como esta.

O Ministério Público (MP) também investiga o caso, por meio da Promotoria da Infância e Juventude. A instituição apura até que ponto órgãos ligados à prefeitura como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e Conselho Tutelar sabiam da situação. Além disso, vai apurar também o comportamento da família e se foram solicitadas anteriormente medidas de proteção à criança. Casos semelhantes podem ser denunciados pelo [email protected].

Ainda segundo o MP, o promotor criminal que vai ficar à frente da investigação só será definido depois que o caso for relatado pela Polícia Civil. A previsão para que isso ocorra não foi divulgada.

O Conselho Tutelar diz que desconhecia a violência sofrida pela criança. Segundo o órgão, a família era acompanhada há pelo menos um ano e monitorada quanto a vulnerabilidade social.

Criança era mantida amarrada em barril pelo pai em Campinas — Foto: Reprodução/Rede Globo

Alimentação com casca de fruta

Policiais que encontraram a vítima informaram que ela era alimentada com cascas de fruta. O menino estava nu, dentro de um tambor de metal fechado com uma telha e uma pia de mármore para evitar que ele saísse. O vídeo do momento em que ele é encontrado mostra que a criança mal conseguia se mexer quando foi encontrada. Ele tinha a cintura, pés e mãos acorrentados.

O menino estava há quase cinco dias sem comer, segundo a polícia. “Colocavam pra ele casca de banana, fubá cru”, relata o cabo Rodrigo Carlos da Silva. A Polícia Civil acredita que ele estava acorrentado dentro do barril há um mês. “Desde o começo de janeiro já estava sendo preso no tambor. Ele teria que ficar em pé nessa amarração, que era feita com os braços presos em cima do tambor”, relatou o delegado Daniel Vida da Silva.

Ainda segundo a Polícia Civil, o pai disse em depoimento que o filho é muito agitado, agressivo e fugia de casa. Ele alegou que fez isso para educar o menino.

ÁGIL DPVAT