Polícia Militar entrega roupas, brinquedos e videogames doados para criança torturada em Campinas, SP

Menino estava acorrentado em barril e foi resgatado pela corporação no sábado (30). Campanha arrecadou 632 peças de roupas, 276 brinquedos e três videogames, entre outros itens.

A Polícia Militar (PM) entregou, nesta sexta-feira (5), roupas, brinquedos, videogames, sapatos e outros itens que foram doados pela população para o menino de 11 anos que foi resgatado em uma casa no Jardim Itatiaia, em Campinas (SP), acorrentado dentro de um barril.

No dia do resgate, a criança foi encontrada com as mãos e pés amarrados, debilitada e com sinais de desnutrição. O menino recebeu alta do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti nesta quarta-feira (3) e foi encaminhado para um serviço de acolhimento na cidade.

“Foi fantástico, nós ficamos surpresos com a dimensão e repercussão que isso tomou. A gente ficou muito feliz também, porque eu, sinceramente, nunca vi ninguém numa situação daquela. Tenho 20 anos de polícia e nunca vi ninguém passar por aquilo, ainda mais uma criança”, disse o capitão da PM José Antônio Pereira Júnior.

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Ao todo, a campanha promovida pela 2ª Companhia do 35º Batalhão arrecadou: 632 peças de roupas; 276 brinquedos; 29 pares de sapatos; 22 presentes embalados; 10 gibis; Quatro mochilas escolares; Três videogames; Dois livros; Uma máquina para corte de cabelo; Um urso de pelúcia; Materiais escolares variados.

A corporação informou que, como a identidade do menino está sendo preservada, as doações não foram entregues diretamente para ele, mas sim à equipe de um centro de assistência social da metrópole.

Campanha arrecadou 632 peças de roupas, 276 brinquedos e 29 pares de sapatos — Foto: Polícia Militar/Divulgação

Investigações

O boletim de ocorrência foi registrado como tortura na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Jardim Londres, e o inquérito está em andamento. O pai do menino é suspeito de ter praticado as ações, enquanto a namorada e a filha dela devem ser responsabilizadas por omissão, diz a polícia.

Na terça (2), o prefeito Dário Saadi (Republicanos) anunciou a abertura de apuração sobre eventuais falhas e omissões dos serviços públicos municipais e de entidade conveniada. Além disso, diz o governo, o objetivo é buscar melhorias e adequações no fluxo de atendimentos a situações como esta.

O Ministério Público (MP) também investiga o caso, por meio da Promotoria da Infância e Juventude. A instituição apura até que ponto órgãos ligados à prefeitura como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e Conselho Tutelar sabiam da situação. Além disso, vai apurar também o comportamento da família e se foram solicitadas anteriormente medidas de proteção à criança. Casos semelhantes podem ser denunciados pelo [email protected].

Ainda segundo o MP, o promotor criminal que vai ficar à frente da investigação só será definido depois que o caso for relatado pela Polícia Civil. A previsão para que isso ocorra não foi divulgada.

O Conselho Tutelar diz que desconhecia a violência sofrida pela criança. Segundo o órgão, a família era acompanhada há pelo menos um ano e monitorada quanto a vulnerabilidade social.

Criança foi resgatada após sofrer tortura em Campinas, diz PM — Foto: Polícia Militar

Alimentação com casca de fruta

Policiais que encontraram a vítima informaram que ela era alimentada com cascas de fruta. O menino estava nu, dentro de um tambor de metal fechado com uma telha e uma pia de mármore para evitar que ele saísse.

O menino estava há quase cinco dias sem comer, segundo a polícia. “Colocavam pra ele casca de banana, fubá cru”, relata o cabo Rodrigo Carlos da Silva.

A Polícia Civil acredita que ele estava acorrentado dentro do barril há um mês. “Desde o começo de janeiro já estava sendo preso no tambor. Ele teria que ficar em pé nessa amarração, que era feita com os braços presos em cima do tambor”, relatou o delegado Daniel Vida da Silva.

Ainda segundo a Polícia Civil, o pai disse em depoimento que o filho é muito agitado, agressivo e fugia de casa. Ele alegou que fez isso para educar o menino.

ÁGIL DPVAT