Por mensagens, babá narrou em tempo real à mãe de Henry tortura do menino por Dr. Jairinho

Conversa recuperada pela polícia mostra que o vereador se trancou em quarto com Henry e aumentou o volume da TV. Depois, criança contou que levou banda (rasteira) e chutes e reclamou de dores no joelho e na cabeça. Mãe e padrasto foram presos.

Por Arthur Guimarães, Carlos de Lannoy, Felipe Freire, Leslie Leitão e Marco Antônio Martins, TV Globo e G1 Rio – Uma troca de mensagens entre Monique Medeiros da Costa Silva de Almeida, mãe do menino Henry Borel, e Thayna de Oliveira Ferreira, babá da criança, descreve em tempo real a suposta sessão de tortura a que a criança foi submetida pelo padrasto, o vereador Dr. Jairinho (afastado do Solidariedade), em 12 de fevereiro. Leia a íntegra da conversa ao fim deste texto.

As agressões supostamente aconteceram em um quarto do apartamento que Dr. Jairinho e Monique viviam no Rio de Janeiro. Segundo relatou a babá, o menino e Dr. Jairinho, padrasto de Henry, ficaram trancados por alguns minutos em um cômodo com o som da TV alto. Depois, a criança mostrou hematomas, contou que levou uma banda (uma rasteira) e chutes e reclamou de dores no joelho e na cabeça.

Na representação ao Ministério Público estadual, a polícia indica estar diante de um homicídio duplamente qualificado por tortura e por emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O delegado Henrique Damasceno considera que os prints são uma prova relevante na investigação. “Nós encontramos no celular da mãe prints de conversa que foram uma prova extremamente relevante, já que são do dia 12 de fevereiro e o que nos chamou a atenção é que era uma conversa entre a mãe e a babá que revelava uma rotina de violência que o Henry sofria. A babá relata que o Henry contou a ela que o padrasto o pegou pelo braço, deu uma rasteira e o chutou. Ficou bastante claro que houve lesão ali. A própria babá fala que o Henry estava mancando.”

As mensagens foram divulgadas um mês após a morte do menino. Nesta quinta-feira (8), a polícia prendeu Jairinho e Monique na casa de parentes dela em Bangu, no Rio de Janeiro. Eles vão ser indiciados por homicídio duplamente qualificado, segundo informações da TV Globo.

O laudo da morte de Henry, levado pelo casal já sem vida a um hospital na madrugada de 8 de março, aponta sinais de violência. No dia, só Jairinho, Monique e a criança estavam no apartamento.

Os prints dos diálogos de WhatsApp foram encontrados na galeria do telefone de Monique. Os investigadores consideram as informações “absolutamente contundentes”.

A troca de mensagens aconteceu entre 16h20 e 18h03 de 12 de fevereiro, 26 dias antes da morte de Henry. Nas conversas, durante dois minutos, Monique e Thayna falam que Jairinho ficou trancado no quarto com Henry.

Depois que o menino deixou o quarto, ele correu até Thayna e disse que não quer ficar sozinho na sala. O delegado Damasceno afirma que a mãe sabia das agressões, mas que se omitiu. “A mãe não comunicou a polícia, não afastou o agressor de uma criança de quatro anos. Ela esteve em sede policial, prestando depoimento por 4 horas, dando uma declaração mentirosa e protegendo o assassino do próprio filho. Ela aceitou esse resultado. Ela se manteve firme ao lado dele, mantendo uma versão absolutamente mentirosa.”

Troca de mensagens entre Monique Almeida e Thaina Ferreira, babá de Henry — Foto: Reprodução
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ÁGIL DPVAT