Preso por matar mulher e enterrar corpo em fazenda usou transporte por app para levar vítima ao local do crime

Segundo a polícia, homem de 38 anos chegou a publicar nas redes sociais da vítima se passando por ela para enganar os familiares, mas ele foi identificado e preso. Crime ocorreu no Dia das Mães, em Itatinga (SP).

O homem de 38 anos que foi preso em Itatinga (SP) por matar a garçonete Nilcéia Ferreira, de 39, com golpes de canivete no pescoço levou a vítima até o local do crime com um motorista de aplicativo, segundo a Polícia Civil.

De acordo com o delegado seccional de Botucatu, Lourenço Talamonte Netto, o motorista foi identificado e confirmou à polícia que levou o casal até a fazenda no dia 9 de maio, Dia das Mães, quando Nilcéia desapareceu.

A partir do boletim de ocorrência por desaparecimento, a Polícia Civil passou a investigar o caso e pediu a prisão temporária de Sílvio Adão, um homem com quem a vítima estava tendo um relacionamento havia algumas semanas.

“Eles foram nesse local com um motorista de aplicativo. Ele [o motorista] foi identificado, confirmou. Já tinham todas as provas contra ele, não tinha mais como fugir”, explica o delegado.

Sílvio foi preso nesta quarta-feira (19) e, em depoimento à polícia, “confessou o crime friamente, sem demonstrar nenhum arrependimento”, segundo o delegado, e indicou onde havia escondido o corpo de Nilcéia.

Na quinta-feira (20), a garçonete foi encontrada morta na fazenda de Itatinga, onde havia ido com o suspeito no dia 9 de maio, em um local a cerca de 850 metros da portaria, em meio à uma plantação e enterrada sob galhos de eucalipto.

De acordo com a irmã da vítima, Ludemira Ferreira, antes de cometer o crime, o suspeito havia dito para Nilcéia que a levaria para o Paraná, onde os dois buscariam um dinheiro deixado de herança pelos pais dele. “Inclusive eu tenho um áudio dela. Me avisou que ia viajar, mas era tudo mentira dele”, lamenta Ludemira.

Se passou pela vítima na web

Além da mentira de que levaria Nilcéia para buscar um dinheiro no Paraná, segundo a irmã, Sílvio Adão se passou pela vítima nas redes sociais para “justificar” o sumiço dela para a família, no período em que ela esteve desaparecida. “Bom dia a todos. Estou com Covid. Que o senhor nos abençoe, se Deus quiser vai dar tudo certo”, postou o suspeito como se fosse a vítima. “Vamos vencer juntos, amor”, ainda comentou Sílvio na publicação.

De acordo com o boletim de ocorrência, a irmã de Nilcéia relatou à polícia que mandou mensagem para a vítima no dia do crime, a parabenizando pelo Dia das Mães. No entanto, ela disse que não foi respondida e que, no dia 10, Nilcéia mandou mensagem informando que estava com Covid, internada em um hospital de Ourinhos (SP).

“A família achou estranho porque tinha muitos erros de português nessa mensagem, e ela não costumava escrever, costumava, segundo a família, mandar áudio. E ele postou isso e também andou pedindo dinheiro para o patrão dela como se fosse ela. O patrão deu, acho que R$ 200 e poucos”, conta o delegado Talamonte.

“Ele pegou os contatos que ela tinha e entrou em contato com uma pessoa que tinha contratado o buffet para fazer um casamento. Pediu dinheiro adiantado, se passando por ela, e a pessoa, coitada, caiu na lábia dele”, também disse a irmã.

De acordo com a Polícia Civil, Nilcéia e Sílvio se conheceram pela internet e estariam se relacionando há algum tempo. O suspeito disse à polícia que matou a vítima porque se envolveu em uma discussão com ela na fazenda, e ela teria o ameaçado com o canivete.

O suspeito segue preso por feminicídio na cadeia de Itatinga, e a vítima foi enterrada nesta sexta-feira (21) em São Manuel.

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ÁGIL DPVAT