Segundo a especialista, a rápida perda de gordura facial pode reduzir a sustentação da pele, deixando o rosto com aspecto mais envelhecido. Ela afirma que os efeitos vão além do emagrecimento, podendo também afetar o metabolismo e a qualidade das células de gordura da face.
O uso da tirzepatida, medicamento amplamente utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e também para o emagrecimento, tem levantado uma nova discussão entre especialistas: além da perda de peso, o remédio pode provocar mudanças significativas na estrutura da face.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a professora da Faculdade São Leopoldo Mandic, Dani Cardoso, especialista em Harmonização Orofacial (HOF), comenta pesquisas científicas recentes que analisam os efeitos dos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 sobre o tecido facial.
Segundo a especialista, a rápida perda de gordura no rosto pode reduzir o suporte natural da pele, favorecendo um aspecto mais envelhecido e com menor volume facial. Ela explica que a discussão atual vai além da simples redução da gordura, envolvendo possíveis alterações no metabolismo e na qualidade dos adipócitos, células responsáveis pelo armazenamento de gordura.
Um dos estudos citados, publicado em 2024, avaliou em nível molecular o PLLA (ácido poli-L-lático), substância utilizada em bioestimuladores de colágeno, e identificou a ativação de 17 genes relacionados à diferenciação e ao metabolismo dos adipócitos, algo que não ocorreu com outro produto comparado na pesquisa.
Outro estudo clínico envolvendo pacientes em tratamento com medicamentos da classe GLP-1 apontou melhora na espessura da pele e no contorno facial após o uso do PLLA. No entanto, a professora ressalta que esse trabalho foi financiado pelo fabricante do Sculptra, o que deve ser considerado na interpretação dos resultados.
Para a especialista, a principal discussão atualmente não é apenas se o paciente deve fazer um bioestimulador, mas sim qual produto apresenta maior respaldo científico para tratar as alterações faciais relacionadas ao emagrecimento acelerado.
Ela reforça que a escolha do tratamento deve ser baseada em evidências científicas, avaliação individualizada e acompanhamento por profissionais qualificados, destacando que novas pesquisas continuam sendo realizadas para compreender melhor os impactos dos medicamentos para perda de peso na saúde e na estética facial.



