Protestos contra o racismo voltam a tomar as ruas dos EUA

Manifestações após a morte do ex-segurança George Floyd entram no oitavo dia. A maioria dos atos é pacífica. Outros países também registraram protestos.

Os Estados Unidos entraram nesta terça-feira (2) no oitavo dia de manifestações contra o racismo após a morte do ex-segurança George Floyd em uma ação policial em Minneapolis. Os protestos ocorrem na maioria das vezes de maneira pacífica.

Na véspera, o presidente Donald Trump chegou a dizer que era “um aliado das manifestações pacíficas”, mas pediu que os estados endurecessem a força policial contra vândalos e ameaçou chamar Forças Armadas caso a violência continuasse no país. Ele ainda reforçou o pedido para que governadores e prefeitos convocassem a Guarda Nacional para conter tumultos.

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O pedido, entretanto, recebeu rechaço de alguns políticos, como o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. “Não precisamos que a Guarda Nacional venha à cidade”, afirmou, acrescentando que os 36 mil policiais são suficientes para lidar com as manifestações.

“Quando forças armadas de fora vêm às nossas comunidades, especialmente nessas situações tensas para as quais não foram treinados, é um cenário perigoso”, completou.

Manifestantes protestam em ato antirracismo na Foley Square, Nova York (EUA), nesta terça-feira (2) — Foto: Yuki Iwamura/AP Photo

Washington endurece cerco

Um dia depois de afirmar que poderia convocar forças armadas para intervirem nos protestos antirracismo, o governo norte-americano continuou a reforçar a necessidade de medidas enérgicas contra distúrbios e saques, sobretudo em Washington.

O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, responsável por dirigir as medidas de segurança na capital, disse que a vigilância vai aumentar nesta terça-feira. “Vamos ter ainda mais recursos para cumprimento da lei e apoio na região nesta noite”, afirmou Barr, em comunicado.

A decisão foi tomada um dia depois de um confronto entre policiais e manifestantes enquanto Trump discursava. Fontes disseram à agência Associated Press que o tumulto começou porque as forças de segurança tentavam abrir caminho para o presidente visitar uma igreja depredada nos protestos perto da Casa Branca — o que gerou críticas de autoridades religiosas da cidade.

Um novo toque de recolher está previsto para Washington nesta terça. Centenas de integrantes da Guarda Nacional viajaram à capital para reforçar o patrulhamento.

Manifestantes fazem ato contra o racismo na Foley Square, em Nova York (EUA), nesta terça-feira (2) — Foto: Yuki Iwamura/AP Photo

Caso George Floyd

George Floyd morreu em 25 de maio após ser filmado com o pescoço prensado pelo joelho de um policial branco em Minneapolis. O ex-segurança, que era negro, foi alvo da operação policial por supostamente tentar pagar uma conta em uma mercearia com nota falsa de US$ 20, segundo a imprensa norte-americana.

As imagens reacenderam a questão racial dos Estados Unidos e deram início a uma série de protestos antirracismo que tomaram conta do país. Com a comoção nacional e mundial, o policial filmado ajoelhado sobre o pescoço de Floyd foi preso e formalmente acusado de homicídio.

Uma primeira perícia, oficial, não indicou evidências de que Floyd morreu por asfixia. Entretanto, outras autópsias indicaram que, sim, o ex-segurança foi morto por sufocamento.

Policial foi filmado com o joelho sobre o pescoço de George Floyd — Foto: AFP/Facebook / Darnella Frazier