Quatro investimentos indicados para quem está começando

Antes de escolher, o investidor iniciante precisa fazer a lição de casa e entender como funciona cada modalidade de aplicação, quais os riscos e as possibilidades de retorno.

Começar a investir é um exercício que gera dúvidas de onde alocar aquele suado dinheiro guardado. Afinal, são inúmeros produtos, com nomes complexos e que prometem retornos percentuais variados. Mas, para facilitar o início dos novos investidores, consultamos especialistas que apontaram os quatro investimentos mais indicados para iniciantes e compilar dicas para que não haja confusão na hora da escolha.

Segundo os analistas, quem está começando a investir deve optar por ativos de renda fixa, ou seja, aqueles que têm rentabilidade definida no momento da contratação, principalmente como o Tesouro Direto, CDBs (Certificado de Depósito Bancário) e LCIs/LCAs (Letras de Crédito Imobiliário/Agronegócio).

De acordo com Virginia Prestes, professora de finanças da FAAP, antes da decisão em qual produto direcionar o dinheiro, é preciso entender a necessidade de se formar uma reserva de emergência, recursos destinados a cobrir de três a seis meses de gastos fixos em caso de imprevistos.

“O primeiro investimento tem que ser, necessariamente, para formação da reserva de emergência, que é aquele investimento de baixo risco e liquidez imediata. A partir da reserva de emergência, o investidor pode começar a diversificar. Ele vai escolher se quer abrir mão de liquidez, e contratar ativos com prazo um pouco mais longo”, disse.

A diversificação inicial de uma carteira de investimentos deve ser na renda fixa, com retornos próximos à taxa básica de juros (Selic), atualmente em 7,75%, e pode contar com a segurança do Tesouro Direto, mais os retornos de CDBs e LCIs e LCAs, e até a composição de um Fundo DI.

Tesouro Direto

Os títulos do Tesouro Direto ofertados pelo Tesouro Nacional, nos quais o investidor empresta dinheiro ao governo e pode receber esse montante de volta, após algum tempo, corrigido por juros.

Ao todo, são cinco tipos de títulos, cada um com suas próprias características. Dentre eles, o mais recomendado para quem está iniciando é o chamado Tesouro Selic, que segue de perto a variação da taxa Selic e tem pouca volatilidade, ou seja, o seu preço sofre poucas correções ao decorrer do tempo.

O único ponto de atenção é que os investidores precisam estar cientes que os títulos do Tesouro Direto sofrem marcação a mercado, ou seja, tem seu valor afetado caso o investidor decida vendê-lo antes do vencimento da aplicação.

CDB

O certificado nada mais é que um título emitido pelos bancos e rendem um percentual do CDI, que caminha próximo a Selic, e pode ser igual, menor ou maior que 100%. Por exemplo: o CDB pode render 90% do CDI, 100% do CDI, 130% do CDI, e por aí vai.

Mas há também CDBs prefixados (que têm uma taxa de correção pré-definida) e híbridos (têm uma taxa de correção fixa acrescida de algum índice variável, como o IPCA, que mede a inflação).

O CDB pode ou não ter liquidez diária (quando os valores podem ser sacados a qualquer momento). Quanto maior é o prazo de vencimento do CDB, ou seja, quanto maior é o tempo pelo qual o dinheiro fica investido, melhor ele paga.

LCI/LCA

As letras de crédito funcionam da mesma maneira que um CDB, com uma única diferença para o investidor. Ao contrário do Tesouro Direto ou do CBD, que têm tributação de Imposto de Renda (IR) regressiva de 22,5% a 15%, mais Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para menos de 30 dias, a LCI e a LCA não possuem taxação.

Isso faz com que o produto possa ser mais atrativo do que os demais, já que entregará um rendimento líquido ao investidor, sem a necessidade do recolhimento do imposto.

FUNDOS DI

Os fundos são como condomínios de investimento em que os moradores, nesse caso os cotistas, investem recursos individualmente e o montante é aplicado de acordo com uma estratégia. A função dos Fundos de Renda Fixa Referenciados DI, ou simplesmente Fundos DI, é garantir ao cotista uma rentabilidade de 100% do CDI. Para isso, o gestor do fundo vai escolher em quais títulos investir.

A modalidade também tem liquidez diária, mas como todo fundo de investimento, é importante que o investidor observe o valor de taxas de administração e outras tarifas que podem ser cobradas pelo Tesouro e pela B3, e também não conta com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como os outros produtos citados.

Cuidado com promessas (e estude)

De acordo com Virginia Prestes, antes de escolher qualquer um desses produtos, no entanto, o investidor iniciante precisa fazer a lição de casa e entender sobre as aplicações, quais os riscos e as possibilidades de retorno.

“Minha dica é que a pessoa escolha um produto que ela entenda, sempre unindo a educação financeira à sofisticação do mundo dos investimentos. Um erro comum é que os investidores iniciantes escolhem os produtos baseados na rentabilidade passada. Então ela pode escolher algo super volátil e ilíquido só porque vendeu mais”, disse.

“Por exemplo, as criptomoedas têm atraído pessoas que nunca investiram, pois tiveram um crescimento muito grande nos últimos anos. Então as pessoas negligenciam muito a volatilidade e o risco envolvido e vão atrás apenas da rentabilidade, mesmo que elas não conheçam o que são as criptomoedas”, completou.

Além disso, para o planejador financeiro Raphael Carneiro, os golpes ainda são muito comuns no Brasil. Por isso, quem se interessa por começar a investir precisa fugir de promessas de rendimentos extraordinários.

“Eles precisam tomar cuidado com as falsas promessas, com quem promete ganhos exorbitantes. Não existe isso. Ninguém vai se transformar em um milionário do dia para a noite”, afirmou.

Fonte: CNN Brasil Business

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