Rapaz confessa ter matado namorada trans por asfixia diz que brigou com a jovem, mas não lembra o motivo

Jonathan, de 18 anos, afirmou em depoimento que ingeriu bebida alcoólica e usou droga no dia do crime. Corpo de Luara Redfield, de 23 anos, foi achado em área de pasto, em Mairinque (SP), 12 dias após desaparecer.

O rapaz preso após confessar que matou a namorada transexual, Luara Redfield, de 23 anos, por asfixia em Mairinque (SP), disse em depoimento que o casal brigou no dia do crime, mas não se lembra do motivo.

De acordo com informações, Jonathan Richard de Lima Moreira, de 18 anos, contou que havia ingerido bebida alcoólica e usado cocaína no dia 10 de agosto, quando a jovem desapareceu. O corpo de Luara foi encontrado na tarde de sábado (22), no Jardim Vitória, em avançado estado de decomposição.

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Sem dar detalhes do motivo da discussão, Jonathan relatou à polícia que lembra apenas da namorada ter dado unhadas e ele usado as mãos para apertar o pescoço da jovem.

O namorado foi levado à delegacia para prestar depoimento logo após o corpo ser encontrado. Depois de confessar o crime, a Justiça concedeu a prisão temporária de Jonathan por 30 dias, a pedido da polícia, para conclusão do inquérito.

Ele foi encontrado em um hotel, no Centro de São Roque. Depois de prestar depoimento, foi levado para a cadeia.

Ao perceber que a namorada estava morta, o rapaz disse em depoimento que arrastou o corpo para a área de pasto, onde a vítima foi encontrada. No momento da prisão, o suspeito estava com ferimentos na testa, que comentou serem resultado da briga com a namorada.

A polícia aguarda o laudo necroscópico que vai apontar a causa da morte. Apesar do avançado estado de decomposição do corpo, aparentemente não tinha marcas de perfurações.

Luara Redfield estava desaparecida desde o dia 10 de agosto em Mairinque — Foto: Instagram/Reprodução

Postagem nas redes

O namorado da Luara Redfield fez postagens em uma rede social para pedir informação sobre o desaparecimento da companheira.

Luara foi vista pela última vez no dia 10 de agosto, na praça Kiko e Chiko, em Mairinque, na companhia do namorado Jonathan. Um dia antes da prisão e do corpo de Luara ser encontrado, neste sábado (22), Jonathan postou algumas fotos da companheira no Facebook com a expressão “#ondeestaluara”.

Em outra publicação, no mesmo dia, o rapaz usou uma foto com a descrição “desaparecida” e com a descrição “#ondeestaaluara qualquer informação contatar” juntamente com alguns telefones para contato, dele e da família de Luara.

De acordo com a Polícia Civil, quando o corpo foi encontrado a jovem estava morta há alguns dias, o que indica que a publicação do namorado foi feita depois do assassinato da jovem.

O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Sorocaba e encaminhado por uma empresa funerária de Mairinque até São Paulo. O sepultamento ocorreu no Cemitério Quarta Parada, por volta das 13h.

A amiga Isabella Revelin contou que Luara era uma jovem alegre e muito querida por todos. “Eu nunca conheci alguém tão doce e alguém tão boa quanto ela. Mesmo quando era maltratada por ser quem era, por ser transexual, continuava firme, educada, e nunca arrumava briga.”

“Ela sempre estava sorrindo, sempre alegre, brincando, dançando. Acho que nunca vou conhecer alguém tão boa quanto ela”, lembra a amiga. Nas redes sociais, Luara recebeu diversas homenagens e muitas pessoas lamentaram o ocorrido.

“Mais um terrível crime contra o mundo LGBT que não pode se calar. Que as autoridades façam de tudo para achar os culpados dessa barbárie. Fica aqui os meus sentimentos a todos familiares”, escreveu um morador.

Jonathan Richard, namorado da jovem transexual Luara Redfield preso suspeito de matá-la em Mairinque, fez postagem sobre o desaparecimento dela — Foto: Facebook/Reprodução

12 dias desaparecida

Amigos e familiares da jovem fizeram uma força-tarefa em busca de Luara, que desapareceu no dia 10 de agosto, em Mairinque. Até uma vaquinha foi feita para distribuir cartazes pela cidade.

A Polícia Civil ouviu algumas testemunhas, entre elas o namorado da Luara, que estava com ela no dia em que desapareceu. Segundo parentes da vítima, a jovem e o companheiro teriam discutido naquele dia, o que foi confirmado pelo jovem em depoimento.

No primeiro depoimento do suspeito, enquanto Luara ainda estava desaparecida, Jonathan contou que pegou um ônibus na praça Kiko e Chiko, foi para São Roque e depois para Itapevi, onde mora. Na ocasião, a jovem teria ficado na praça depois que os dois se despediram.

O pai de Luara também prestou esclarecimentos à investigação. Segundo informado, o pai da jovem disse que entrou em contato com o namorado da filha quando percebeu que ela não tinha voltado. O rapaz havia afirmado anteriormente que tinha ido sozinho para casa. (Com informações de Mayara Corrêa/TV TEM)