Renda dos mais pobres foi a que mais caiu durante pandemia, aponta FGV

Queda foi de 21,5% entre os mais pobres, e de 7,1% entre os ricos.

A queda da renda média do brasileiro durante a pandemia foi unânime. Entre a faixa da população mais pobre esse impacto foi maior, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em relação ao último trimestre de 2019, período antes da pandemia da Covid-19, a perda de renda registrada no segundo trimestre deste ano, foi de -21,5% neste grupo.

Na contramão, os ricos, que de acordo com a FGV representam 10% da população, foram os que tiveram a menor redução de renda, com -7,21% no faturamento.

Para os trabalhadores informais, desempregados e inativos a perda foi estimada em -9,4% da renda. O grupo do meio, entre os 50% mais pobres e os 10% mais ricos, considerada classe média no sentido estatístico, teve queda de -8,96%.

Pouco mais da metade da queda de renda dos mais pobres foi pelo crescimento do desemprego. Além disso, outro fator foi a retirada de um contingente expressivo de trabalhadores do mercado de trabalho sem perspectiva de encontrar ou exercer trabalho durante a pandemia.

A alta da inflação e a redução da jornada de trabalho também foram consideradas na pesquisa como impulsionadores para a redução do faturamento. De olho no futuro, o pesquisador da FGV Marcelo Nery não garante uma recuperação rápida nos números por conta do fim do Auxílio Emergencial.

O benefício foi prorrogado até este mês de outubro, com os valores podendo variar entre R$ 150 e R$ 350. “Será uma balança de fatores. De um lado a vacinação vai promover a recuperação do mercado de trabalho. E de outro a suspensão do Auxílio pode aumentar a pobreza em 3 pontos percentuais, 6 milhões de novos pobres”, afirmou Nery.

Perda maior entre mulheres

De um panorama nacional, as perdas foram mais evidentes na região Nordeste, com -11,4% no faturamento da população. No Sul, o impacto foi menor, com -8,86%. Por grupos da sociedade, as mulheres foram mais impactadas, com -10,3% de perda da renda contra -8,4% em comparação com os homens.

Os idosos com 60 anos ou mais também foram especialmente afetados por terem de se retirar do mercado de trabalho função da maior fragilidade em relação ao Covid-19 (-14,2% de perda).

(*Sob supervisão de Cláudia Tavares)

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