Risco de acidentes domésticos aumenta nas férias

Algumas dicas que podem ajudar os pais nos cuidados e especialmente na prevenção desses acidentes

Nesta época do ano, com a chegada das férias, é comum o aumento dos casos de crianças envolvidas em acidentes domésticos, por isso os pais precisam redobrar os cuidados. Dados do Ministério da Saúde apontam que os acidentes ou lesões não intencionais são a principal causa de morte entre as crianças de 1 a 14 anos de idade, respondendo por 4,7 mil óbitos e 125 mil internações/ano.

É um índice alarmante, especialmente se levarmos em conta que mais de 90% dos acidentes poderiam ser evitados com medidas de prevenção adequada. “Todas as faixas etárias incidem em risco para acidente e toda criança necessita de supervisão e orientação. Até os 6 anos, aproximadamente, a proteção tem que serem período integral. Mas a criança nunca deve ficar sozinha em casa. Na idade de pré-adolescente, por volta dos 11 a 12 anos, elas já têm alguma consciência de perigo e responsabilidades, mas não a ponto de administrarem os cuidados com uma casa ou outra criança menor”, afirma a neuropediatra Simone Amorim.

Nos primeiros dois anos de vida as quedas são comuns e fazem parte do desenvolvimento, pois é o período em que a criança começa a andar. “As quedas da própria altura, nesta fase, em sua grande maioria, não implicam em lesões neurológicas. Os riscos maiores estão nas quedas de trocadores, camas, beliches, escadas, colo ou brincadeiras de adultos como jogar a criança para cima e pegá-la de volta. Mas caso a criança mantenha quedas muito frequentes após os dois anos de idade caberá ao pediatra encaminhá-la para avaliação com neurologista infantil afim de afastar qualquer comprometimento neurológico”, explica.

Ela dá algumas dicas que podem ajudar os pais nos cuidados e especialmente na prevenção desses acidentes:

– Nos recém nascidos e lactentes (bebês menores de 1 ano) é preciso cuidado com o risco de sufocamento, por isso é muito importante atenção ao berço, que deve ser livre de brinquedos e almofadas. Para dormir, deve-se adotar a posição de barriga para cima e cabeceira elevada.

– Na hora do banho é importante verificar, com o dorso da mão, a temperatura da água, pois não são raros os casos de queimaduras nesse momento. Cuidado também com afogamentos, bebês podem se afogar com uma altura de 2,5 cm de água.

– Quando a criança cresce um pouquinho mais e já é capaz de engatinhar (por volta dos 9 a 10 meses) o risco aumenta, porque ela já adquiriu certa independência, mas não possui a menor noção de perigo. Os armários de cozinha, áreas de serviço e banheiros devem ser trancados, escadas devem ter portões de proteção com trancas, objetos e utensílios de vidros devem ser mantidos no alto.

– Cuidado com o andador, aquele veículo colorido com rodinhas que pode atingir uma velocidade de 1 metro/segundo, que é uma velocidade absurdamente alta para um bebê que não tem ideia de onde pode chegar e dos riscos que pode correr. Algumas pesquisam apontam uma criança acidentada para cada três que usam o andador e mais de 30% dos casos são graves, com fraturas e traumatismo craniano, em sua maioria por queda da escada.

– Quando as crianças começam a andar, tendem a querer explorar o mundo ao seu redor. Nessa hora a vigilância precisa ser redobrada. Riscos como quedas da escada, afogamentos, queimaduras, choques elétricos e ingestão de substâncias tóxicas, cáusticas ou medicamento são os mais comuns.

– É importante evitar qualquer que qualquer objeto com água fique ao alcance da criança, como baldes, bacias, banheiras, até mesmo o vaso sanitário pode apresentar perigo. Como já dito, é necessário um mínimo volume de água para que aconteça um acidente fatal. Piscinas devem ter grade de proteção de no mínimo 1,5 m de altura e portões de acesso. Importante nesses casos os pais e responsáveis nunca deixarem brinquedos dentro da piscina ou banheira, pois a criança pode querer buscá-los.

– As tomadas elétricas devem ser tampadas e quinas de mesas e outros móveis protegidas.

– Nunca deixe medicamentos, produtos de limpeza e sacolas plásticas ao alcance das crianças, pelo risco de intoxicação e sufocamento/asfixia.

– Cozinha não é lugar de criança! De toda forma, alguns cuidados são importantes: os cabos das panelas devem ser direcionados para dentro do fogão, e tenha cuidado com toalhas de mesa muito longas, pois o bebê pode ter a curiosidade de puxá-las.

– Uma informação muito difundida é a que diz que não se pode deixar a criança dormir depois de uma queda, mas não é bem assim. Temos que ficar atentos a sonolências excessivas, àquela criança que está dormindo além do habitual para sua rotina.

– Se houver hematomas (galo na cabeça), perda ou alteração da consciência (desmaios), sangramento nasal ou pelo ouvido, vômitos, convulsões e sonolência excessiva, é necessário encaminhar a criança ao pronto socorro, onde será examinada pelo pediatra, que tomará as condutas imediatas necessárias e posteriormente encaminhará a criança para avaliação neurológica, seja durante a internação ou após alta hospitalar.


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