Sai, lacraia! Sai lacraia! Saiba o que fazer se for picado pelo animal

Jovem que foi picada pelo animal enquanto dormia contou como ocorreu o acidente. Especialista em artrópodes explicou como se deve agir nestes casos e como prevenir que animais peçonhentos invadam as casas.

No último sábado (11), a jovem Nataly Galdino, de 21 anos, viralizou nas redes sociais ao postar uma foto com o lábio superior inchado. A estudante relatou que foi picada por uma lacraia enquanto dormia em sua casa, em São Vicente, litoral de São Paulo.

“Eu acordei, sentindo que tinha algo agarrado na minha boca e minha reação foi puxar. Eu fiz uma força, foi quando doeu muito e eu levantei desesperada (…). Quando olhei para a cama, em cima do meu cobertor, tinha uma lacraia gigante”, contou.

O que se deve fazer em caso de picada de lacraia?

O especialista afirma que em casos como esse a primeira coisa é não fazer nenhum procedimento indicado pela cultura popular.

“Não fazer garrote, não procurar chupar o veneno com a boca, não colocar nada em cima. Existem muitos estudos que mostram que tanto para picada de lacraia quanto para a mordida de qualquer animal peçonhento, esses procedimentos são ruins. Na verdade, eles pioram a evolução do caso”, diz.

Souza ainda coloca que o correto é lavar o local com água e sabão, manter o acidentado o mais calmo possível e procurar socorro médico. Segundo o biólogo, o Sistema Único de Saúde possui uma rede de centros de referências, os chamados polos de atendimento, onde há pessoal treinado para fazer o diagnóstico e tratamento de diferentes tipos de envenenamento. Os endereços desses polos em todo país podem ser encontrados no site do Instituto Vital Brazil.

Quais os riscos da picada da lacraia para os seres humanos?

O veneno das lacraias é pouco tóxico para os seres humanos e não tem risco de morte. No entanto, os sintomas mais comuns são dor e inchaço no local da picada. Em alguns casos, também podem ocorrer febre, calafrios, tremores e suores, além de uma pequena ferida.

Como evitar que uma lacraia entre em casa?

Segundo Cláudio Souza, as pessoas dão condições a estes animais para que eles entrem nas casas, como abrigo, alimento e fonte de umidade. O especialista faz um roteiro, baseado no princípio dos quatro “as”, para diminuir os fatores de risco de ocorrência destes animais nas residências.

“O primeiro é o acesso. Por onde ele entrou dentro de casa? Pelo ralo, pela janela? Por algo que eu comprei? Segundo: qual é o abrigo desse animal? Ele fica em um móvel abandonado, está naquela pilha de pedras, naquele material de construção? Naquele quartinho que a gente nunca mexe? Terceiro: qual o alimento desses animais? Normalmente, os insetos domésticos e a pequena fauna encontrada perto da nossa casa, como insetos, pequenos roedores e pequenos pássaros servem de alimento (…). E quarto é o ‘a’ de água: no caso das lacraias, da umidade. Esses animais ficam sempre em ambientes úmidos. Então, a gente deve procurar aquelas paredes que ficam escuras, onde tem vazamento. Normalmente, nesses ambientes se criam os locais ideais para proliferação de lacraias e outros animais peçonhentos”.

De acordo com o Ministério da Saúde, para evitar as lacraias, devem ser tomadas as seguintes precauções:

  • limpar os ralos semanalmente com creolina e água quente, e mantê-los fechados quando não em uso;
  • limpar e manter fechadas as caixas de gordura e os esgotos;
  • os jardins devem ser limpos, a grama aparada e as plantas ornamentais e trepadeiras devem ser afastadas das casas e podadas para que os galhos não toquem o chão;
  • porões, garagens e quintais não devem servir de depósito para objetos fora de uso que possam servir de esconderijo para as lacraias;
  • os muros e calçamentos devem ser cuidados para que não apresentem frestas onde a umidade se acumule e os animais possam se esconder.
CLIQUE NA IMAGEM E FALE DIRETO PELO WHATSAPP