Salário de delegados em SP é o menor do país, diz levantamento de sindicato da categoria

Governo de São Paulo ofereceu reajuste de 5% para a categoria em outubro de 2019. Categoria afirma que houve perda salarial no período. 

Um levantamento feito pelo Sindicato dos Delegados da Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) mostra que o salário dos delegados paulistas é o menor entre todos os estados do país e o Distrito Federal. A remuneração da categoria, de acordo com os dados de dezembro de 2020, é de R$ 10.382,48. A maior remuneração foi registrada em Mato Grosso, com R$ 24.451,11.

De acordo com o sindicato, a Polícia Civil paulista tem previsão de 41.912 cargos em 2021. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), disse, em nota, que “a atual gestão reajustou em 5% o piso salarial dos policiais, equiparou o auxílio alimentação dos agentes” (leia mais abaixo).

Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindpesp, disse em nota que “no mesmo mês em que o Sindpesp chegou ao lamentável resultado que colocou os delegados paulistas na lanterna dos salários, o Governo do Estado mandou para a Assembleia Legislativa um projeto de orçamento de R$ 246,3 bilhões para 2021, que coloca São Paulo disparado como o estado mais rico do Brasil.”

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Ainda segundo o levantamento do sindicato, o estado de São Paulo também ocupa a 23ª posição no ranking salarial dos 27 estados e DF para o cargo de investigador, oferecendo um remuneração inicial de R$ 3.931,18, e a 24ª posição para o cargo de escrivão, que tem o mesmo salário de R$ 3.931,18 (veja ranking abaixo).

Raquel afirma que o efetivo de policiais civis no estado está abaixo do considerado ideal. “Faltam 14.448 policiais civis em São Paulo. Ou seja, trabalhamos com recursos humanos 34,5% abaixo do número ideal, o que causa sobrecarga de trabalho, estresse e reflete diretamente na qualidade da segurança pública para o povo paulista.”

O governador João Doria anunciou em outubro de 2019 um reajuste salarial de 5%, que a categoria considerou ainda das perdas em função do aumento da alíquota da Previdência estadual. Houve protestos da categoria.

“Com o início da pandemia, o governador passou a justificar que não poderia conceder reposição salarial, apesar dos policiais estarem trabalhando na linha de frente, nas ruas, enfrentando os riscos inerentes da profissão e o Covid-19”, explicou a presidente do Sindpesp.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que “investe na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial em todo o Estado. A atual gestão reajustou em 5% o piso salarial dos policiais, equiparou o auxílio alimentação dos agentes, além de ter ampliado a bonificação por resultados, que passa a ser bimestral.”

Ainda segundo a SSP, “em dezembro, mais de R$10 milhões foram pagos em bonificação referente ao 1º bimestre de 2020 para as polícias do Estado. Além dos 600 investigadores nomeados no dia 30 de dezembro, outros 288 policiais civis serão nomeados em janeiro. Somente nesta gestão foram contratados mais de 9,8 mil policiais, sendo 1.323 civis. Todos já estão em plena atividade, reforçando a segurança no Estado.”

Segundo a nota da SSP, “outros 910 profissionais estão atualmente em formação, 218 deles são policiais civis, e em breve estarão atuando em defesa da população paulista.”