Sem exportar carne bovina para a China, vendas podem cair até 10%

Ausência chinesa não afeta apenas as exportações, mas também o preço do boi.

Após o Brasil registrar dois casos atípicos de ‘mal da vaca louca’, o país está há seis semanas sem exportar carne bovina para a China e sem expectativas de um posicionamento oficial do governo chinês. Segundo Yago Travagini, analista de mercado da Agrifatto, o setor brasileiro já está sentindo os impactos do mercado interno de carne bovina, e pode acabar se estender para o mercado externo.

De acordo com Travagini, “nós tínhamos um cenário antes e depois bloqueio chinês. Antes do embargo, caminhávamos para superar o volume de carne exportada em 2020, com alta de até 4%, enquanto a receita poderia crescer até 20%. Mas, com a saída chinesa, o número de exportação será menor neste ano em volume. Provavelmente teremos uma queda na casa dos 8% a 10% nas exportações de carne bovina”.

O analista ainda afirma que nos primeiros nove meses do ano, a China exportou um bom volume de carne bovina, e o cenário só não é pior para o Brasil devido esse acumulado.

Além disso, a ausência chinesa não afeta apenas as exportações, mas também o preço do boi. Além de provocar uma queda significativa, o valor da arroba busca um valor de referência.

“A China é responsável até 60% das nossas exportações, ou 15 a 20% da nossa produção em 2021. Com isso, quando ela sai do mercado é normal que a gente sinta essa ausência. Observamos agora que os preços voltaram para uma referência do mercado interno. Se antes tínhamos R$ 310 ou R$ 305 a arroba, era porque o mercado exportador estava forte e pagava mais. No entanto, hoje o balizador de preços é o mercado interno. Os valores da carne de R$ 17,50 a R$ 18 sustentam os preços em R$ 265 a R$ 270”, diz o analista.

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