Sítio arqueológico é descoberto em área destinada a loteamento de casas no interior de SP

Cerca de 1,6 mil peças entre artefatos em pedra e fragmentos cerâmicos achados na região do Rio do Engenho indicam presença de povos pré-coloniais. Material levado para análise em laboratório da capital pode ser visto em mostra virtual.

Um sítio arqueológico foi descoberto em Lençóis Paulista (SP) durante estudos para licenciamento e implantação de um novo loteamento residencial. A descoberta aconteceu em junho, mas foi divulgada apenas nesta terça-feira (17).

No local, foram encontradas cerca de 1,6 mil peças, entre artefatos em pedra e fragmentos cerâmicos, indicando vestígios de povos antigos que viveram na região. O material foi enviado a um laboratório na capital paulista para análise mais aprofundada.

Os artefatos descobertos em Lençóis Paulista agora passam a integrar o Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico (PGPA). A Gestão do Patrimônio Arqueológico é uma das exigências legais para licenças requeridas para empreendimentos imobiliários.

Depois de analisados, os materiais devem ser enviados para o Museu Municipal de Jaú ou podem formar uma coleção de referência a ser viabilizada permanentemente em Lençóis Paulista para visitação da população local.

Os artefatos foram encontrados na região do Rio do Engenho, córrego afluente do Rio Lençóis, e permitem conhecer um pouco sobre os povos que viveram na região e se estabeleceram em aldeias por um longo período.

Por meio do PGPA também foi disponibilizada uma Mostra Virtual com os achados e o processo de trabalho dos arqueólogos que pode ser visitada em link na internet.

Sítio arqueológico é descoberto em área destinada a loteamento de casas em Lençóis Paulista — Foto: Divulgação

Povos pré-coloniais

De acordo com Ana Cristina Chagas dos Anjos, educadora responsável pelo Programa Integrado de Educação Patrimonial do PGPA, em uma primeira análise, é possível afirmar que a população que se estabeleceu nessa encosta de rio era horticultora-ceramista e confeccionava potes cerâmicos para conter água e alimentos.

Essa população vivia da agricultura, coleta de raízes, frutos e mel e também produzia ferramentas em pedra, como raspadores, furadores, lâminas de machado, e pontas de flechas e de lanças, para caça e pesca, entre outras funções.

Uma análise laboratorial vai ajudar a determinar a idade desses artefatos. Estima-se que a ocupação seja anterior à chegada dos europeus ao continente (povos pré-coloniais).

Sítio arqueológico é descoberto em área destinada a loteamento de casas em Lençóis Paulista — Foto: Divulgação

O processo

Durante a execução da Gestão do Patrimônio Arqueológico, quando encontrado um artefato, são desenhadas quadras arqueológicas (unidades de escavação) pois é possível que existam mais vestígios próximos daquele artefato. A área analisada em Lençóis Paulista tem aproximadamente 20 hectares.

Além das quadras arqueológicas, os arqueólogos também utilizam como método a abertura de trincheiras. Com o uso de peneiras e outras ferramentas (trenas, cavadeiras, enxadas, entre outras) são realizadas novas buscas.

O aprofundamento das quadras e trincheiras permite saber não só como as peças estão distribuídas no solo, como reconstituir aspectos de ocupação desses antigos povos. Como trata-se de um sítio de pouca profundidade, os artefatos foram resgatados para análise em laboratório e a obra poderá seguir normalmente.

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ÁGIL DPVAT