Sono ruim está ligado ao acúmulo de placas perigosas em todo o corpo, diz estudo

Dormir menos de seis horas por noite ou acordar com frequência aumenta o risco de desenvolver placas prejudiciais nas artérias, não apenas no coração.

Aqui está outra razão pela qual ter uma boa noite de sono deve estar na sua lista de tarefas obrigatórias: dormir menos de seis horas por noite ou acordar com frequência aumenta o risco de desenvolver placas prejudiciais nas artérias de todo o corpo, não apenas no coração.

Pesquisas anteriores mostraram que o sono ruim está fortemente associado à doença cardíaca coronária, mas “este é o primeiro estudo a mostrar que o sono medido objetivamente está independentemente associado à aterosclerose em todo o corpo”, disse José Ordovás, diretor de nutrição e genômica do Centro de Pesquisa em Nutrição Humana Jean Mayer, na Universidade de Tufts, em um comunicado.

Ordovás foi o autor sênior de um estudo sobre essas descobertas, publicado na revista do Colégio Americano de Cardiologia.

O aumento da placa, chamado aterosclerose, em suas extremidades aumenta o risco de derrames, problemas digestivos e má circulação que leva a dormência e dor nas extremidades, bem como doenças cardíacas.

Medidas objetivas

O estudo analisou quase quatro mil homens e mulheres espanhóis, com idade média de 46 anos, que não tinham histórico de doenças cardíacas.

Cada pessoa usava um actígrafo, um pequeno aparelho que media a duração e a qualidade do sono, durante sete noites. A qualidade do sono foi definida pela frequência com que acordavam e com que frequência se moviam durante as fases do sono.

Os sujeitos foram divididos em quatro grupos com base na duração do sono: menos de seis horas, seis a sete horas, sete a oito horas e mais de oito horas.

E cada pessoa passou por uma tomografia computadorizada cardíaca e um ultrassom 3D de seu coração no início e no final do estudo. Várias artérias do corpo também foram observadas por meio de ultrassom 3D.

Esse uso de meios objetivos para quantificar o sono foi um dos pontos fortes da pesquisa, escreveram Daniel Gottlieb e o Deepak Bhatt do Brigham and Women’s Hospital de Boston em um editorial publicado ao lado do estudo.

Outro ponto forte foi o tamanho do estudo e a exclusão de qualquer pessoa com doença cardíaca existente ou apneia obstrutiva do sono.

Pesquisas anteriores normalmente incluíam pacientes com doenças cardíacas e outras doenças crônicas existentes e usavam questionários de pacientes para capturar a duração e a qualidade do sono, que estão sujeitas a erros de recordação.

“O que as pessoas relatam e o que elas fazem são muitas vezes diferentes”, disse Valentin Fuster, editor-chefe da revista do Colégio Americano de Cardiologia, que liderou a nova pesquisa.

Depois de excluir os fatores de risco tradicionais para doenças cardíacas, os pesquisadores descobriram que os indivíduos que dormiam menos de seis horas eram 27% mais propensos a ter aterosclerose em todo o corpo do que aqueles que dormiam de sete a oito horas. Os participantes com sono fraturado eram 34% mais propensos a ter acúmulo de placa do que aqueles que dormiam bem.

“Esses resultados destacam a importância de hábitos saudáveis ​​de sono para a prevenção de doenças cardiovasculares”, escreveram os autores do estudo.

Impacto do sono ruim

O impacto do sono ruim em nossa saúde está bem documentado. A ciência associou sono ruim com pressão alta, sistema imunológico enfraquecido, ganho de peso, falta de libido, mudanças de humor, paranoia e maior risco de diabetes, derrame, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Um estudo de sono feito em laboratório descobriu que pessoas que dormiam menos de seis horas por noite durante duas semanas – e que achavam que estavam indo muito bem – respondiam mal a testes cognitivos e de reflexos, quando foram privadas de sono por duas semanas.

A falta crônica de sono também está intimamente ligada à ansiedade e à depressão, pois o corpo luta para lidar com o estresse da sonolência. Há até evidências crescentes de que dormir mal no início da vida pode levar ao desenvolvimento de placas e emaranhados que causam a doença de Alzheimer e outros tipos de demência.

O sono é fundamental para o rejuvenescimento do corpo. O sono profundo, do tipo que ocorre apenas após um ciclo completo, é necessário para que o corpo libere hormônios projetados para reparar células e construir tecidos no corpo e no cérebro.

Você pode dormir melhor

Cabe a você melhorar seu sono, e você pode fazer isso treinando seu cérebro. Comece configurando seu ambiente de sono e estabeleça uma rotina relaxante para dormir. É essa repetição que treinará seu cérebro a reconhecer que é hora de relaxar e dormir. Baixas temperaturas no quarto, iluminação fraca, tomar um banho quente ou chuveiro e ouvir música suave são todos bons métodos para tentar.

E não se esqueça do exercício. De acordo com a Fundação Nacional do Sono dos EUA, apenas 10 minutos por dia de caminhada, ciclismo ou outro exercício aeróbico podem “melhorar drasticamente a qualidade do sono noturno”.

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