Tubarão-azul de mais de 2 metros com 80 filhotes é encontrado morto em praia do litoral de SP

Fêmea estava prenha, e todos os filhotes morreram também. Animal será incluído no acervo científico do Instituto Gremar.

Um tubarão-azul (Prionace glauca) foi encontrado morto em uma praia de Bertioga, no litoral paulista. O animal era uma fêmea, que estava prenha e media mais de 2 metros. O Instituto Gremar investiga o caso.

Segundo o instituto, o tubarão foi achado durante monitoramento da equipe na praia da Riviera de São Lourenço, no último domingo (18). O animal estava encalhado na areia, já em óbito. A fêmea possuía aproximadamente 2,4m e foi removida para análise.

Conforme analisado pelo Gremar, o animal apresentava marcas de rede de pesca pelo corpo, especialmente na região do ventre. Foram recolhidas amostras de sangue e outros materiais biológicos do animal para análise das causas da morte.

Durante o exame de necropsia, foi possível observar que os filhotes ainda estavam em desenvolvimento no saco vitelino placentário do tubarão. Segundo o Gremar, as fêmeas de tubarões-azuis são vivíparas, ou seja, o desenvolvimento dos filhotes não se dá em ovos, mas sim, no corpo da mãe.

Por isso, mesmo com a tentativa de salvar os filhotes, todos morreram junto à fêmea, pois não estavam desenvolvidos o bastante para sobreviver fora do saco vitelino. O instituto analisou que o animal possuía 80 filhotes em desenvolvimento.

Considerando que o animal foi encontrado em bom estado de conservação, o corpo da fêmea passará por taxidermia – processo de preservação da forma da pele, planos e tamanho de animais mortos – e fará parte do acervo científico do Instituto Gremar, utilizado em ações de educação ambiental junto às comunidades e redes de ensino.

A ação é desenvolvida com o objetivo de ajudar a preservar animais marinhos, como os tubarões, que são fundamentais para o equilíbrio ecossistêmico dos oceanos.

Corpo do animal encalhado em Bertioga, SP, apresentava marcas de rede de pesca — Foto: Instituto Gremar

Tubarão-azul

A equipe do Gremar esclarece que essa espécie habita águas distantes da costa e, portanto, não é considerada uma ameaça para o ser humano.

No entanto, a captura incidental do tubarão-azul representa uma grande ameaça para a espécie. Além disso, outra prática que coloca em risco este tubarão é a pesca direcionada, uma vez que sua carne é intensamente explorada para o consumo de barbatanas e produção de ração, e sua pele, para produção de couro.

O instituto explica que, de acordo com a International Union for Conservation of Nature (IUCN), a espécie tem o status de “quase ameaçada”. Porém, diante da realidade atual, é bem provável que, em breve, passe para as categorias de ameaça (criticamente em perigo, em perigo ou vulnerável), já que, atualmente, esta é uma das espécies de tubarão mais pescadas do planeta.

Animal com 2,4 metros será incluído no acervo científico do Instituto Gremar. — Foto: Instituto Gremar
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