Unicamp coordena estudo para entender possíveis impactos do coronavírus durante a gravidez

Pesquisadores querem desvendar possível transmissão vertical e o motivo de eventual piora ou maior gravidade da doença devido à gestação.

Por Fernando Evans, G1 Campinas e Região

A Unicamp está coordenando um estudo nacional para entender possíveis impactos do coronavírus na gravidez. A ideia é monitorar gestantes que testaram positivo para Covid-19 ou apresentaram sintomas gripais até o parto, coletando amostras de tecidos biológicos e fluídos para identificar onde há presença viral. Uma das perguntas que os cientistas querem responder é sobre a possibilidade de transmissão vertical e, caso ela ocorra, quais riscos oferece aos bebês e às mães.

De acordo com Maria Laura Costa do Nascimento, professora do departamento de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e responsável pela pesquisa, apesar de a gravidez não parecer aumentar o risco de infecção pela Covid-19, há dúvidas sobre uma eventual piora do quadro ou maior gravidade ou mortalidade devido à gestação.

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“As principais complicações descritas durante a gestação com infecção por Covid são: parto pré termo, aumento das taxas de cesárea, rotura prematura de membranas e sofrimento fetal”, detalha a pesquisadora.

No Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism), na Unicamp, o grupo monitora 20 gestantes com diagnóstico de Covid-19. Entre elas, seis já tiveram todas as coletas de material biológico, ou seja, já realizaram o parto.

No Caism, um dos casos foi de parto prematuro, de 34 semanas, mas tanto a criança quanto a gestante passam bem – a mãe já recebeu alta, inclusive. Em Campinas, entretanto, uma mulher de 30 anos, com diagnóstico positivo para Covid-19, morreu logo após o parto – o caso não ocorreu na Unicamp.

Para avaliar os possíveis impactos da Covid, os pesquisadores farão coletas de dados e exames do diagnóstico da doença até a fase de amamentação.

Para diagnosticar a doença, além da coleta do SWAB, os cientistas fazem a coleta de sangue, urina e fezes da gestante. Depois, durante o parto, são retiradas amostras de placenta, liquido amniótico e sangue do cordão. Posteriormente, são retirados para análise o leite materno e amostras dos bebês.

A proposta integra a Rede Brasileira em estudos do COVID-19 em Obstetrícia (Rebraco), foi apresentada em maio e prevê uma avaliação de dados coletados durante três meses em 17 diferentes centros e maternidades espalhados pelo Brasil.

A coleta de amostras biológicas, devido a especificidade e necessidades técnicas de armazenamento e testagem, com laboratórios de biossegurança para manipulação do vírus, não serão realizados em todos os centros participantes. Em outros, serão feitos questionários para obtenção de informações das gestantes.