Aluna identificou melhores produtores de pectinases, largamente utilizadas nos setores de alimentos, têxtil e agroindústria.

Com a pesquisa “Screening de fungos filamentosos voltados para a produção de pectinases”, Inaiá Ramos Aguiar foi uma das cinco participantes da 26ª edição do Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (Siicusp), escolhida para apresentar a pesquisa na Rutgers University, nos Estados Unidos, em abril.

Outros cinco alunos exporão seus trabalhos em março na Ohio State University, também em território norte-americano. O estudo de Inaiá Ramos Aguiar investiga fungos bons produtores de pectinases, enzima largamente utilizada pelas indústrias de alimentos, têxtil, agroindústria e nutrição animal, entre outras.

Ela é aluna do 4º ano do curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), orientada pela professora Maria de Lourdes Polizeli, do Laboratório de Microbiologia/Biologia Celular (LMBC) do Departamento de Biologia da FFCLRP, e única representante do campus de Ribeirão Preto nos eventos nos Estados Unidos.

A triagem de fungos no projeto, segundo a orientadora, foi iniciada a partir de pesquisas na literatura sobre fungos filamentosos bons produtores de pectinases e já prospectados, isolados e armazenados no LMBC. As pectinases podem ser utilizadas nas indústrias processadoras de frutas, na indústria láctea, bebidas, tabaco, produtos farmacêuticos e cosméticos.

“São grupos de biocatalisadores com grande interesse comercial e têm como os seus principais produtores os fungos filamentosos”, comenta a professora Maria de Lourdes. Um dos focos do laboratório é a bioprospecção de fungos filamentosos, visando à produção de enzimas com aplicação biotecnológica.

Recursos

Assim, a pesquisa está voltada para a procura de recursos bioquímicos ou genéticos com potencial de uso econômico e eventual desenvolvimento tecnológico, de forma legal e sustentável.

“Mais de mil fungos foram coletados de solos de todos os biomas do País, além de materiais em decomposição, restos de plantas e materiais exóticos do meio ambiente. Os fungos isolados estão armazenados em condições apropriadas e estão disponíveis para estudos de enzimas com potencial biotecnológico, metabólitos secundários, produção de antibióticos, etc.”, conta a orientadora.

Segundo a professora, a produção de enzimas fúngicas vem sendo obtida por fontes de carbono não onerosas, como cascas de citros, farelos de soja, bagaço de malte, bagaço de cana de açúcar e de resíduos agroindustriais, por exemplo.

“A agroindústria gera uma enorme quantidade de materiais residuais, cuja deposição no meio ambiente causa sérios problemas de poluição. A substituição dos componentes do meio de cultivo por resíduos industriais desencadeia um processo de produção ecologicamente correto e mais econômico, uma vez que se utiliza de matéria que seria descartada e se tornaria poluente para o meio ambiente e ainda substitui substratos químicos de alto custo para a produção de enzimas”, conclui.

De olho na segurança alimentar

As doenças e pragas na agricultura são fatores que podem comprometer a segurança alimentar dos países. Estima-se que 10% a 16 % da produção mundial seja perdida pelo aparecimento de patógenos, segundo estudo publicado por pesquisadores da Austrália e Reino Unido.

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, cientistas realizam estudos recentes para compreender, por exemplo, os mecanismos pelos quais o fungo Sporisorium scitamineum provoca a doença chamada “carvão da cana-de-açúcar”.

O grupo de pesquisa é coordenado pela professora Claudia Bastos Monteiro-Vitorello, do Departamento de Genética da Esalq. ““As condições ambientais, associadas às mudanças climáticas têm favorecido o desenvolvimento do carvão da cana-de-açúcar. No Brasil, a colheita verde da cana também é considerada um fator de risco, mantendo a incidência da doença em níveis mais elevados”, explica.

Quando uma planta é contaminada, há a produção de uma estrutura chamada “chicote” a partir do ápice da cana-de-açúcar, e é através dela que o fungo se dispersa e contamina outras plantas.

“Essa estrutura [chicote] dá o nome de carvão da cana-de-açúcar à doença, pois os esporos do fungo dão aspecto de fuligem e se espalham no campo facilmente pela ação do vento, por exemplo”, conta a professora Patricia Dayane Carvalho Schaker, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que realizou seu doutorado e pós-doutorado na Esalq.

Mais informações sobre o trabalho publicado pela equipe podem ser consultadas pela internet.