“Vai nos prejudicar bastante. Ainda mais que estamos com o aumento de demanda por Covid”, afirmou o provedor da Santa Casa de Araras, SP

Governo do Estado publicou resolução de redução de 12% em dois programas que auxiliam as Santas Casas. Associação emitiu uma nota para divulgação

O corte de recursos de 12% dos Programas Pró-Santas Casas e Santas Casas SUStentáveis que será feito pelo governo do estado irá prejudicar o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e impactar nas cirurgias eletivas, dizem os provedores das Santas Casas da região. A resolução foi publicada na quarta-feira (6), no Diário Oficial.

A Santa Casa de Rio Claro (SP) irá perder cerca de R$ 300 mil por ano. Em São João da Boa Vista, o valor do corte representa aproximadamente R$ 1 milhão anualmente e, em Araras mais de 600 mil. Em Araraquara e São Carlos os cortes chegam a R$ 3 milhões ao ano.

Segundo provedores, o corte, que vem em meio a principal crise de saúde mundial do último século, irá agravar a situação das Santas Casas que têm déficit em relação à tabela do SUS e ao aumento dos medicamentos e insumos.

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Preocupação

Com o corte, a Santa Casa de Araras irá perder 53.476,66 todos os meses. No final de ano, um ano serão R$ 641.718,72 a menos. “Vai nos prejudicar bastante. Ainda mais que estamos com o aumento de demanda por Covid”, afirmou o provedor Eduardo de Moraes.

Segundo o gestor, esses recursos são utilizados para comprar oxigênio, medicamentos e material de limpeza para o hospital.

Fehosp

A Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp) emitiu uma nota alertando que o corte prejudicará o atendimento à população e que em mais de 200 municípios do Estado, a Santa Casa ou o hospital filantrópico é o único equipamento de saúde para atendimento à população.

“A resolução afeta diretamente recursos essenciais para os hospitais, que são responsáveis por mais de 50% do atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde), especialmente no interior do estado, onde os equipamentos de saúde são referência para a alta complexidade e tratamento da Covid-19.”

Segundo a Fehosp, em meio à maior crise de saúde mundial, as 180 entidades que realizam a maior parte do atendimento no Estado terão corte de R$ 80 milhões no ano.

“O setor que destina mais de 47 mil leitos de enfermaria, mais de 7 mil leitos de UTI ao SUS, representa mais de 50% das internações e mais de 70% dos atendimentos em alta complexidade, como oncologia, cardiologia e transplantes, está indignado com a resolução do governo estadual”, afirma a nota.

Segundo a entidade, os programas estaduais já sofriam com defasagem dos valores e cortes anteriores, e não irão suportar o mesmo volume e qualidade de atendimento com esse corte em plena pandemia.

“Temos esperança de que o Governador impedirá qualquer tipo de redução dos recursos comprometidos para o setor filantrópico da saúde. Caso não encontre uma forma de remediar essa injustiça e se a legítima expectativa do setor que representa aproximadamente 60% dos atendimentos SUS não comover seu coração, a população só terá como alternativa buscar atendimento nos hospitais públicos estaduais”, afirmou a Fehosp.