Proposta prevê acolhimento, capacitação profissional e ampliação do acesso ao diagnóstico do TEA para adolescentes e adultos.
A vereadora Ana Julia Casagrande protocolou na Câmara Municipal de Araras um projeto de lei que cria a Política Municipal de Atenção ao Diagnóstico Tardio do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta tem como objetivo oferecer acolhimento, orientação e acesso adequado aos serviços públicos para pessoas que receberam o diagnóstico apenas na adolescência ou na fase adulta.
O tema tem ganhado espaço em todo o país diante do aumento de diagnósticos tardios de autismo, principalmente entre adultos que passaram anos sem acompanhamento especializado ou sem compreender dificuldades enfrentadas ao longo da vida.
Segundo a parlamentar, muitas dessas pessoas convivem desde a infância com desafios relacionados à comunicação, socialização, rotina e ambiente profissional, mas sem o suporte necessário.
O projeto apresentado em Araras prevê medidas voltadas tanto ao acolhimento quanto à ampliação do acesso à identificação do transtorno dentro da rede pública municipal.
Entre os principais pontos da proposta estão a capacitação de profissionais da saúde, educação e assistência social para reconhecer sinais do TEA em diferentes fases da vida, além da criação de uma rede integrada de atendimento.
A iniciativa também busca fortalecer campanhas de conscientização sobre o autismo, especialmente para combater preconceitos ainda enfrentados por pessoas diagnosticadas tardiamente.
Nos últimos anos, especialistas têm apontado um crescimento significativo nos casos de adultos que descobrem o TEA após avaliações médicas e psicológicas mais aprofundadas. Em muitos casos, o diagnóstico chega após anos de sofrimento emocional, dificuldades escolares, crises de ansiedade ou problemas de adaptação social e profissional.
De acordo com a vereadora, o projeto pretende justamente olhar para essa parcela da população que, por décadas, ficou sem respostas.
“Precisamos olhar também para quem passou a vida inteira sem respostas e sem acolhimento. O diagnóstico tardio muda vidas e garante dignidade, acesso a direitos e mais qualidade de vida”, afirmou a parlamentar.
A proposta está alinhada à Lei Federal nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, além da Lei Brasileira de Inclusão.
Caso seja aprovado pela Câmara Municipal, o projeto poderá fortalecer o acesso de moradores de Araras aos serviços de saúde, orientação especializada e inclusão social.
O debate sobre saúde mental, neurodiversidade e inclusão tem se tornado cada vez mais presente em cidades brasileiras, principalmente diante da busca por diagnósticos mais precisos e atendimento humanizado.
O texto agora seguirá para análise das comissões da Câmara antes de ser votado pelos vereadores.



