70% das ligações ao 190 não são de emergências na região de Araras, SP; entenda quando usar serviço

Entre casos estão pedidos de carona, para auxílio com celular, reclamar de infraestrutura pública e pedir outros números de telefones, além de trotes e falsas comunicações de crimes; capitão explica como essas ligações afetam serviço da PM e penalidades previstas.

Das 1.185.339 ligações recebidas pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Piracicaba (SP) através do número 190 em 2022, 70% não eram situações de emergência policial, que é a finalidade deste canal de comunicação. A unidade atende 52 cidades da região, incluindo Araras (SP).

Entre casos de chamadas inadequadas estão pedidos de carona, para auxílio com celular, reclamar de infraestrutura pública e pedir outros número de telefones, além de trotes e falsas comunicações de crimes.

Chefe do Copom do Comando de Policiamento do Interior (CPI) 9, o capitão da PM Tiago Augusto explicou, como a central otimiza o trabalho da corporação, em quais casos o cidadão deve acioná-la e em quais ela não é adequada.

Também mostrou como as chamadas que não são emergência prejudicam o trabalho policial e quais penalidades estão previstas em algumas situações. Veja as informações na sequência:

🚓 Como o Copom otimiza o trabalho policial?

Segundo Augusto, o Copom possibilita padronização do atendimento das chamadas, melhora o planejamento das ações policiais e também permite aplicar equipes e outros recursos de maneira mais eficiente, além de facilitar o controle da qualidade e treinamento dos policiais. Ele também aponta a possibilidade de compartilhamento das informações entre batalhões de diferentes localidades.

“As ligações podem ser feitas em qualquer lugar do estado, independente da localização da ocorrência. Nos casos de o centro de operações de uma cidade estar com excesso de chamados, automaticamente a ligação será transferida ao ponto de atendimento mais próximo. O operador receberá as informações e, ao finalizar a ocorrência, ela cairá no local de origem para despacho”, detalha.

🚨 Como o sistema possibilita planejar ações da PM?

O chefe do Copom do CPI-9 explica que cada ligação gera um registro ocorrência. “Nós conseguimos identificar dentro desse sistema onde estão sendo as maiores solicitações, tanto em ocorrências com violência – roubos, latrocínio, homicídio – e também ocorrências patrimoniais. Conseguimos fazer também mapeamento de ocorrências de perturbação de sossego”, exemplifica.

Com bases nesses dados, são geradas probabilidades de ocorrências de determinados crimes em determinadas localidades, datas e horários e planejadas as operações preventivas da PM. “A gente consegue fazer um mapeamento por zona de calor, por cidade, conseguimos dividir por bairros também”, detalha Augusto.

Quando acionar o 190?

Em casos de emergência, segundo o capitão. “Todo esse trabalho que é feito com o sistema 190 visa ocorrência com risco à vida, risco à integridade física ou patrimônio, que ocorreram ou estão em andamento. Essa ligação precisa ser o mais rápido possível, porque nós temos uma quantidade de linhas e quanto mais rápido for, mais rápido está liberado para nova chamada de uma pessoa que está necessitando”, orienta.

Ele também aponta que isso se estende para as ocorrências de Corpo de Bombeiros, que também trabalha com ocorrências de emergência, mas em outras áreas.

Quais são as chamadas não emergenciais recebidas?

Segundo o chefe do Copom, desses 70% das ligações que não geram ocorrência para envio de equipe policial, 11% são trotes e 59% são chamadas abandonadas e orientações ao cidadão. Casos citados pelo capitão:

  • Pedido de informações sobre endereços e telefones de outros órgãos – Orientação do Copom: pesquisar via internet ou através do telefone 102;
  • Pedidos sobre orientações de questões judiciais ou sociais – Orientação do Copom: procurar orientação jurídica da OAB e, em casos de proteção social, buscar orientações da rede de proteção social da prefeitura;
  • Pedidos de orientações sobre compra e venda de veículos – Orientação do Copom: buscar informações junto ao Detran e empresas de vistoria veicular devidamente cadastradas;
  • Solicitações sobre problemas de infraestrutura urbana, asfalto, sinalização e imóveis abandonados – Orientação do Copom: procurar a secretaria municipal específica para cadastrar a reclamação;
  • Chamadas solicitando o acionamento de outros órgãos – CPFL, Departamento de Água e Esgoto, Zoonoses, Órgãos de Proteção Social, entre outros.

 

Quais casos inusitados já foram atendidos?

Augusto cita chamadas, principalmente de madrugada, nas quais informam que estão em lugares afastados, que estão sem dinheiro, não tem transporte público e pedem que uma viatura dê “carona” até sua casa. “Nesses casos é importante destacar que os meios da Polícia Militar são empregados em ocorrências emergenciais, Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública”.

Outro tipo de caso citado é de pessoas que ligam para ajuda na configuração de celulares e outros aparelhos eletrônicos.

Já em um caso pontual, ele cita o de uma mulher que ligou 190 para que uma equipe fosse até seu bairro alegando que o ”ar estava contaminado” e queria que a PM impedisse a contaminação dos seus filhos.

Como essas ligações afetam o atendimento das emergências?

O grande problema, segundo o capitão, é que estas chamadas ocupam linhas telefônicas que poderiam estar livres para quem realmente precisa. “A gente acaba perdendo um pouco de tempo fazendo o tratamento dessas ligações que poderiam estar sendo liberadas para outras pessoas que estão necessitando”, reforça.

Quais são as penalidades previstas?

Augusto explica que, em casos de trotes e falsas comunicações de crimes, quem realiza esse tipo de prática em chamadas ao Copom pode sofrer penalidades.

“Hoje temos punição na área administrativa, multa e um decreto recente para evitar os trotes. Temos crimes no Código Penal e contravenções que podem estar implicando em processos na esfera criminal para quem fizer uso de forma indevida do sistema”, alerta.

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